Nova entrevista com Jamie Brittain
Postado por Victor em terça-feira, 13 de janeiro de 2009 às 14:30
Categorias: Elenco, Jamie Brittain, Skins, Skins US, Terceira Temporada
Tags: Entrevistas, Skins Brasil
O co-criador de Skins, Jamie Brittain deu uma grande entrevista ao blog Televisionary, em que fala, novamente, da nova temporada, da mudança de elenco, novos personagens, a criação da série, a versão americana da série, o sucesso pelo mundo, no Brasil e… do Skins Brasil!
Sim, Jamie menciona nosso site (e eu =D).
Fiquei sabendo que é grande sucesso no Brasil.
(Risos) Eles amam ela, os brasileiros. Tem um site de fãs chamado Skins Brasil, e tem um cara que comanda ele, chamado Victor, que é como um blogger, ele consegue todas as informações antes de todo mundo e me manda e-mails o tempo todo. Ele é obcecado.
Alguns esclarecimentos… 1) foram uns 4 e-mails só 8-); 2) sim, conseguimos informações antes de todos, continuem nos visitando, obrigado; 3) sim, eu sou obcecado… haha
Thanks, Jamie!
Bom, a entrevista é IMENSA, e foi um excelente trabalho do Televisionary. Clique aqui para ler ela completa e traduzida.
Pode nos contar qual foi a origem da criação de Skins e qual foi a inspiração pra isso?
Meu pai é um cara chamado Bryan Elsley, que é um roteirista de TV bem conhecido no Reino Unido. Eu estava sentado com ele em sua cozinha em Londres e ele estava tendo ideias pra um programa, e contando elas pra mim e estava, tipo, “que tal isso, que tal isso?” e eu falava não. Aí ele disse “bom, você tem uma ideia, então?” e eu disse “Eu tenho uma pequena história que eu escrevi quando tinha 15 anos e eu acho que os personagens são muito bons, e acho que daria certo como um programa de TV”. Ele gostou da ideia, os chefes dele gostaram da ideia e o canal gostou da ideia, e foi uma das aprovações mais rápidas. Levou 24 horas, do começo ao fim. E então nós fizemos tudo.
Como é escrever e trabalhar com seu pai?
Nós temos um relacionamento muito bom, na verdade. Seria mais interessante ler que é terrível, mas nos damos muito bem e temos uma relação muito próxima, e tem algumas coisas que eu posso falar pra ele que ninguém mais poderia. É bem divertido.
A terceira temporada estreia no Reino Unido dia 22 de janeiro e na primavera dos EUA. Terá um elenco completamente novo, e quase parece como uma série diferente. O que os fez tomar a decisão de trazer um novo elenco para a terceira temporada?
Bom, foi porque a série é sobre pessoas com idades entre 16 e 18. É exatamente isso que ele é. Sério, era a única coisa que poderíamos fazer e não queríamos continuar com o elenco antigo [enquanto envelheciam], então trouxemos um novo. E esse foi nosso raciocínio.
Veremos alguém do antigo elenco aparecendo em algum momento? Houve rumores um tempo atrás de que o Sid e a Cassie poderiam aparecer, ou veríamos o Tony, já que é irmão da Effy. Algo disso é verdade?
Não. Posso te dizer que não há, absolutamente, nenhuma chance de o elenco antigo retornar. Lamento, mas foi uma das regras que estabelecemos pra nós mesmos. Não vamos olhar pra trás, apenas pra frente.
Qual foi a reação do canal para o novo elenco?
Eles ficaram incertos sobre isso, mas aí explicamos para eles e eles nos apoiaram. Eles são muito bons, no canal (E4), eles nos deixam fazer praticamente tudo o que queremos e é uma relação muito boa.
Parece que Skins foi uma série que definiu muito a marca do E4. Você acha que naquele momento era exatamente o que o E4 precisava?
Sim, acho que estávamos no lugar certo, na hora certa. Eu acho que uma série como Skins não teria acontecido se não tivéssemos feito primeiro. A atmosfera estava no ponto, adolescentes mais apoderados do que nunca, e cedo ou tarde teria um programa que os mostraria como indivíduos apoderados, e era exatamente o que o canal estava procurando, e era exatamente o público que ele estava procurando. Parte do sucesso da série é basicamente devido ao clima na época.
A cidade de Bristol é importante para a série?
Sim, porque somos uma série com orçamento baixo, e não temos toda a grana para aquelas tomadas bem chiques e em alta definição da cidade. A cidade é muito importate para a série, e nós escolhemos uma como Bristol pois é grande o bastante para ter vários lugares interessantes pra ir, mas pequena o bastante para ter um tipo de centro comunitário nela. A palavra “Bristol” nunca é usada na série, e nós só usamos a Ponte de suspensão de Clifton uma vez. Um grande ponto de referência, ela. Eu gosto de pensar que a cidade é um tipo de um lugar estranho, desconhecido, em Skins, e os personagens se movimentam por ela, em um sentido levemente confuso. Certamente, se você assistir alguns dos episódios da terceira temporada, a cidade é bem mais um personagem, e há muito mais lugares estranhos para ir.
O que os fãs podem esperar para ver na terceira temporada? E é um bom começo para novos espectadores?
Sim, sim. Você pode nunca ter visto Skins antes e você pode assistir a terceira temporada. Ela é sobre como um grupo de amigos se une, como um grupo de pessoas distintas se conhece. Diferente das duas primeiras temporadas, onde os personagens já se conheciam, dessa vez mostra como eles se conhecem e como reagem. É também sobre como uma garota – Effy – corrompe um grupo de amigos – Freddie, JJ e Cook, quando todos se apaixonam por ela. É sobre como eles lidam com isso e como ela responde a isso. É uma temporada bem complexa, com nuances, e eu acho que é a melhor que já fizemos, e é simplesmente divertida. Só espero que seja bem divertida de assistir.
Vocês tinham alguma noção, quando escolheram a Kaya Scodelario como Effy, na primeira temporada, de que ela seria o centro do novo elenco, depois?
Não quando imediatamente a escolhemos. Assim que começamos a fazer a segunda temporada, sabíamos que se fizéssemos uma nova temporada – e se fossemos aprovado para uma nova temporada – nós a envolveríamos como uma das principais.
Effy é uma personagem muito interessante já que, diferente do Tony, que estava sempre a frente e no centro, e suas manipulações eram bem mais abertas e declaradas, ela tende a trabalhar mais nos bastidores, bem mais silenciosamente.
Ela é uma personagem bem misteriosa, e você nunca sabe direito o que ela quer. E nós explicamos, de algum jeito, as motivações dela na terceira temporada.
A terceira temporada será mais sombria que as duas primeiras?
Eu não diria sombria, não. Eu diria que se a primeira foi leve, e a segunda mais sombria, a terceira é como uma síntese, meio que um pouco de cada. Tem uma grande variedade de tons, do qual estou muito orgulhoso. O primeiro episódio é bem leve e divertido e o segundo episódio, que eu escrevi, é meio sombrio e estranho…
Esse é o episódio do Cook?
Sim, o episódio do Cook. E termina com ele batendo em um gangster em um bordel. Então é bem divertido. Acho que é o melhor que já fizemos.
Se olhar a primeira temporada, ela estabeleceu a base para os personagens, e a segunda pressionou, muitas vezes, além de seus limites. As temporadas três e quatro seguirão o mesmo padrão?
Hm, sim, a primeira temporada que fazemos com os personagens é para introduzi-los, e prepará-los, e a segunda é para complicá-los, pra descobrir o quão longe eles conseguem chegar. Algumas pessoas dizem que na segunda temporada fomos um pouco longe demais com isso, então dessa vez acho que tentaremos manter tão divertido e excitante quanto as pessoas esperam.
Obviamente você tem um incrível grupo de atores com o novo elenco, mas também tem um histórico de trabalho com incríveis atores convidades, com pessoas como Mackenzie Cook, Harry Enfield e Scott Mills. Eles que chegaram em vocês para estarem na série ou vice-versa?
Sim, eles são ótimos. Em geral, o que aconteceu, foi que o Bryan (Elsley) é amigo do Harry Enfield. Harry é uma das nossas maiores participações especiais, e então ele pediu a ele como um favor para participar da série (como pai da Effy), e assim que conseguimos ele, várias outras pessoas ficaram “ah, isso poderia ser algo bem divertido pra se fazer”, então conseguimos várias ótimas pessoas. Às vezes ouvimos sobre pessoas que realmente querem participar da série, outras vezes apenas pedimos, e elas dizem sim. Eu estava em uma cerimônia de premiação um dia, e conheci o ator Chris Addison, que faz The Thick of It, e eu disse “Você quer participar de Skins?” e ele aceitou. Então eu disse que escreveria um papel pra ele. Às vezes você simplesmente conhece pessoas assim, e aí arranjamos um papel pra elas.
Foi incrível ver pelas duas primeiras temporadas aquela quantidade de atores convidados que vocês usaram. Algumas bem inesperadas, como Peter Capaldi, que interpretou o pai do Sid… embora eu não vá te perdoar por tê-lo matado!
Ah, sim. Foi muito divertido – porque não sou eu quem comanda o show, nem nada, eu só escrevo, embora eu serei o roteirista chefe ano que vem – mas quando eu escrevi meu episódio na primeira temporada, que introduz o personagem do Peter Capaldi, eles disseram “quem você quer para ser a mãe e o pai?”, e eu falei “Josie Lawrence e Peter Capaldi”. E eles disseram “ok, então”, e conseguiram eles.
Durante as duas primeiras temproadas, Skins brincou muito com a linha entre a realidade e a fantasia, especialmente com Cassie e Tony. Isso foi algo que vocês estabeleceram que fariam no começo, criar uma série em que essa linha poderia ser confusa?
Uma das regras que nós estabelecemos quando começamos a série foi: nada de sequências de sonhos e sem flashbacks. Mas eu meio que me esquivei dessa regra no meu episódio da segunda temporada, o do Tony, onde ele vai para a universidade, e que tem esse jeito de como se fosse um sonho. Foi algo que brincamos depois, mas nunca fomos longe demais, porque nunca quisemos fazer uma sequência de sonho ou um flashbaxk, mas é um outro jeito de expandir os personagens e conhecê-los melhor, e levá-los para lugares que normalmente não iriam.
Sem revelar muito sobre a terceira temporada, o que mais você pode nos contar sobre a trama?
Além do que eu já disse, é sobre como a Effy complica a relação entre os garotos… Mas cada episódio é um filme individual, na verdade. Então há muitas histórias. Tem uma história sobre uma lésbica saindo do armário, uma história sobre um garoto com algumas dificuldades sociais se aceitando. Tem uma tentativa de estrelato, como se fosse em um American Idol, que é bem divertida, que tem um ator chamado Richard Fulcher, que faz The Mighty Boosh. Ele interpreta um personagem do tipo do Simon Cowell, e é bem engraçado, ele é brilhante. E é provavelmente meu ator convidado favorito, nesse ano, junto com Matt King, o Super Hans do Peep Show, que faz o pai do Cook. Tem muita gente boa.
Você ficou surpreso com o grande fenômeno global que Skins se tornou?
Sim, é bizarro. A série é feita sem muitos custos. Chris Clough, nosso produtor, é um gênio por fazer a série tão barata e ficar tão boa do jeito que fica. A série recebeu um orçamento pequeno, e foi ao ar em um canal digital e não tínhamos ideia. Pensamos que seria divertido de fazer, de escrever, e faríamos uma temporada e seria isso. Foi muito surpreendente e bacana.
Fiquei sabendo que é grande sucesso no Brasil.
(Risos) Eles amam ela, os brasileiros. Tem um site de fãs chamado Skins Brasil, e tem um cara que comanda ele, chamado Victor, que é como um blogger, ele consegue todas as informações antes de todo mundo e me manda e-mails o tempo todo. Ele é obcecado.
Você foi abordado sobre fazer uma versão americana da série?
Sim… estamos trabalhando nisso no momento. Estamos realmente no começo, então estamos apenas tentando resolver o que vai dar certo e o que não vai, e eu vou escrever com uma equipe americana, e estou nervoso com isso, por trabalhar nos EUA é bem diferente de trabalhar no Reino Unido. Acho que conseguimos fazer dar certo. Deve ser boa, mas ainda é muito, muito cedo.
Que outras série americanas ou britânicas o influenciaram ou você gosta?
Bom, eu amo televisão. Eu assisto muita televisão, principalmente americana. Como influências pra Skins, basicamente toda série teen: Barrados no Baile, Minha Vida de Cão, Buffy, Dawson’s Creek, The O.C. Assistimos todos eles. Pessoalmente, eu amo – quero dizer, todos estão dizendo isso, agora, mas eu amo The Wire. Você tem que assistir isso se você gosta de televisão. Eu amo The Wire. Todos os grandes dramas americanos, principalmente os policias. Amo The Shield, NYPD Blue, Homicide: Life on the Street, LA Law. Todos eles. Sim, séries policias. Eu assisto muita comédia no Reino Unido. Provavelmente meu programa preferido de todos os tempos é The Thick of It, com Peter Capaldi e Chris Addison. Amo esse programa
Tem algum roteirista que você gostaria de seguir os passos da carreira?
Bem, Armando Iannucci, que escreve The Thick of It. Ele consegue fazer qualquer coisa; ele é um ator/roteirista/artista/produtor. Isso seria bem legal. Meu pai é uma grande influência pra mim. Ele está em um ponto de sua carreira que pode fazer o que quiser. Levou 25 anos pra ele conseguir chegar nisso, mas ele pode fazer praticamente qualquer programa que quiser, pois ele já se provou ser um roteirista bancável, que faz séries populares, porém complicadas e originais. Eu adoraria ser capaz de fazer isso.
Tem algum personagem em particular em Skins com o qual você se identifica mais?
Sid. De primeira. Ele é baseado em mim. Todos amam o Sid.
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